Editorial FS · IA aplicada ao Fluig

Fluig Tester: a IA que testa processos no Fluig e entrega a prova

Criado por Matheus Névoa, engenheiro de automação do time Future Station, o Fluig Tester usa IA para testar processos TOTVS Fluig e entregar evidência de cada caminho.

Publicado em 24 de setembro de 2026 9 min de leitura por Leo Manga

Em homologação funcionou. Quem já colocou um processo do Fluig em produção conhece essa frase. E conhece o silêncio que vem depois, quando aparece o caminho que ninguém testou.

Na Future Station, essa frase virou problema de engenharia. A resposta veio de dentro do time: o Fluig Tester, criado por Matheus Névoa, engenheiro de automação do time FS, é uma skill de IA que conduz testes funcionais de processos TOTVS Fluig pela interface web, do início ao estado final. E devolve o que o teste manual quase nunca entrega: evidência conferida.

O Matheus decidiu abrir o trabalho: a skill está disponível publicamente no GitHub (matheusnevoa/fluig-tester). Mais abaixo você encontra o que ela faz, os limites que ela respeita e como começar.

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O teste que ninguém tem tempo de fazer direito

Todo processo tem o caminho feliz: solicita, aprova, conclui. E tem os outros. Reprovação, cancelamento, devolução para correção, campo obrigatório em branco, anexo fora da regra, tarefa que cai na fila de um grupo. É nesses caminhos que o processo quebra em produção.

Testar tudo isso na mão é repetitivo: abrir a solicitação, trocar de usuário, avançar, conferir o formulário, tirar print, voltar e repetir a cada ajuste. O problema não é falta de competência. É cansaço. E o cansaço deixa passar justamente o cenário que vai virar chamado depois do go-live.

Chegar ao fim do fluxo não significa que o teste passou. Significa só que o fluxo terminou.

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O que o Fluig Tester faz, na prática

A skill parte do gabarito do processo: guia de teste, regras de negócio, BPM ou o código do processo, lido somente para consulta. Ela confronta três fontes que costumam ser tratadas como uma só: o que o guia espera, o que o código implementa e o que a interface e o histórico mostram. Divergências viram registro, não suposição.

  • Monta uma matriz finita de cenários alcançáveis: aprovação, reprovação ou cancelamento, devolução/correção, validações negativas, anexos e subramos. Um teste negativo só passa quando o bloqueio esperado acontece e a solicitação não avança.
  • Pede autorização uma vez, para a suíte inteira: antes de criar a primeira solicitação, apresenta ambiente, cenários, identidade, anexos e efeitos conhecidos. Dentro do escopo autorizado, não pede permissão a cada clique.
  • Opera como um usuário real: pela Central de Tarefas, com substituição legítima de usuário e filas de grupo quando existirem. Nomes de gestores e grupos não ficam fixos na skill.
  • Deixa rastro em cada movimentação: escreve uma Observação identificável em toda etapa com campo editável, para acompanhar o texto de uma atividade para a outra.
  • Registra tudo que importa: número da solicitação, atividade, ocorrência, responsável, decisão, estado gravado e divergências. Finais incompatíveis usam solicitações diferentes.
  • Captura e confere o formulário inteiro na chegada, antes e depois de preencher, além da próxima etapa, do histórico e, se você quiser, do diagrama real do Fluig. Print cortado ou ilegível é recapturado ou declarado parcial.
Fluxo do Fluig Tester: gabarito do processo, matriz de cenários, execução autorizada, evidências e relatório
Do gabarito à evidência: cada cenário vira um caminho testado, registrado e comparado com o esperado.
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Resultado funcional não é o mesmo que evidência

Esse é o ponto que separa uma automação de cliques de uma ferramenta de engenharia. Cada caso recebe uma classificação (aprovado, reprovado, bloqueado, não executado ou não aplicável) com justificativa. E, separadamente, a skill informa se a evidência daquele caso está completa.

Se uma etapa não pôde ser comprovada, se um print ficou cortado ou se o comportamento observado divergiu do esperado, isso aparece no resultado. Não fica escondido atrás de um “concluído”. Antes de entregar, a skill reconcilia o inventário de prints com as atividades realmente percorridas.

O que sai ao final de cada execução

EntregaPara que serve
resultado.jsonRegistro canônico: ambiente e versão observada, escopo autorizado, cenários, solicitações, caminho esperado e observado, decisões, divergências e lacunas
relatorio.mdO mesmo teste em leitura rápida, com links para cada print
screenshots/<cenário>/Formulário antes e depois, chegada de cada etapa, histórico e diagrama quando escolhido
Uma pasta por execuçãoevidencias/homologacao/<processo>/<execução>/, sem sobrescrever testes anteriores
Lacunas declaradasA lista honesta do que não foi comprovado, antes de alguém descobrir em produção
Ilustração de relatório do Fluig Tester com cenários aprovados e uma lacuna de evidência sinalizada
Ilustração: o relatório separa o que passou do que passou sem prova suficiente.
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Segurança antes de velocidade

IA operando o sistema de um cliente exige regra clara. O Fluig Tester nasceu com travas explícitas:

  • Homologação é o padrão. Produção só com ambiente nomeado, efeitos previstos e autorização específica. Se o endereço, o banner e o gabarito discordarem, a skill confirma o ambiente antes de mexer em qualquer coisa.
  • Login é humano. Você entra no Fluig na janela visível; a senha não vai para o agente, e cookies e credenciais não entram nas evidências.
  • Sem atalho administrativo. Não altera código, formulário, datasets, grupos, permissões ou campos ocultos, e não usa API interna para contornar o navegador.
  • Uma movimentação, uma confirmação gravada. Depois de um timeout, a skill consulta a solicitação e o histórico antes de repetir. Mensagem de sucesso na tela, sozinha, não prova transição.
  • Escopo declarado. Teste feito no Fluig 2.0 não comprova o comportamento no 1.8.2. Logs de servidor e e-mails continuam sendo conferência humana.

A IA executa. O time decide.

O Fluig Tester executa, organiza e documenta o teste. A leitura da regra de negócio, o julgamento sobre o que é aceitável e a conversa com o gestor continuam com quem entende do processo.

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Como baixar e começar

O Fluig Tester é um único arquivo SKILL.md, sem dependências extras. O navegador é fornecido pelo seu executor de IA. O passo a passo completo, para Windows, macOS e Linux, está no README do repositório.

  • Claude Code: copie o SKILL.md para a pasta de skills pessoais (~/.claude/skills/fluig-tester/), cadastre o Playwright MCP (requer Node.js 20 ou superior) e chame /fluig-tester com o processo e o gabarito.
  • ChatGPT desktop ou Codex: copie o SKILL.md para ~/.agents/skills/fluig-tester/, ative o Computer Use com a extensão do navegador e mencione a skill com @fluig-tester ou $fluig-tester.
  • Antes do primeiro teste: tenha a URL do ambiente, o gabarito do processo, um usuário de teste com acesso às etapas e, se houver upload, uma pasta com anexos de teste.
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Produtividade que vira bem-estar

Tem um lado dessa história que não aparece no relatório. Quando a tarefa repetitiva sai da mão do especialista, ele volta a fazer o que só ele faz: entender a regra, questionar o fluxo, conversar com quem opera e melhorar o processo.

O avanço da tecnologia a favor da produtividade é imparável. A escolha que sobra é quem conduz: o time que aprende a usar IA com critério ou o time que continua apagando incêndio no go-live. Na FS, a gente escolheu o primeiro. E com gente que constrói as próprias ferramentas e ainda compartilha com a comunidade Fluig.

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Autoridade se constrói com o time

O Fluig Tester não é produto de prateleira. É o tipo de ferramenta que só nasce quando quem trabalha com Fluig todo dia decide resolver o próprio gargalo. O Matheus criou a skill e abriu o código; o time aplica nos processos que desenvolve; e o método ganha uma camada de verificação que antes dependia só de disciplina manual.

É o mesmo raciocínio do PULSAR, a forma como a Future Station usa IA para construir no Fluig com menos esforço repetitivo, sem cortar análise, testes ou controles.

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O que muda para quem responde pelo processo

Para o gestor de área, teste sempre foi uma caixa-preta: alguém diz que está ok e ele confia. Com evidência por cenário, a conversa muda.

  • Go-live com menos surpresa: os caminhos alternativos foram exercitados antes, não descobertos depois.
  • Auditoria com registro: quem atuou, em que etapa, com qual decisão e qual formulário fica documentado.
  • Ajustes mais seguros: cada mudança no processo pode ser testada de novo, em uma nova execução, sem apagar a anterior.
O que é o Fluig Tester?

É uma skill criada por Matheus Névoa, engenheiro de automação do time Future Station, que conduz testes funcionais de processos TOTVS Fluig pela interface web, do início ao estado final, com decisões rastreáveis e evidências conferidas. Está disponível publicamente no GitHub em github.com/matheusnevoa/fluig-tester.

Onde eu baixo e em quais ferramentas funciona?

O repositório tem um único arquivo SKILL.md e um guia de instalação. Funciona no Claude Code com o Playwright MCP (Node.js 20 ou superior) e no ChatGPT desktop ou Codex com Computer Use e a extensão de navegador. A skill não instala o navegador nem inclui dados de teste.

O Fluig Tester é oficial da TOTVS?

Não. É um projeto independente, não oficial e não afiliado à TOTVS. As marcas e a plataforma TOTVS Fluig pertencem à TOTVS.

O Fluig Tester altera o meu processo?

Não. A skill não publica nem altera código, formulários, datasets, grupos, permissões ou campos ocultos, e não usa API interna para contornar falhas do navegador. Ela executa, organiza e documenta o teste.

Ele roda em produção?

Por padrão, não. Homologação é o ambiente padrão. Produção exige ambiente nomeado explicitamente, efeitos previstos e autorização específica.

A skill vê a minha senha do Fluig?

Não. O login é feito pela pessoa na janela visível do navegador. Credenciais, cookies e estado autenticado não entram no pacote de evidências.

Substitui o analista ou o usuário-chave?

Não. A skill cobre a execução e a documentação dos cenários. Conferência de logs do servidor, recebimento de e-mails e validação da regra de negócio continuam sendo papel das pessoas.

MN
Quem criou o Fluig Tester

Matheus Névoa

Engenheiro de automação · Future Station · Automações e IA

Trabalha na fronteira entre Fluig, automação e IA. Criou o Fluig Tester para tirar do time a execução repetitiva de testes, trocar o “acho que está ok” por evidência de cada caminho do processo e compartilhou a skill com a comunidade no GitHub.

Igor Rodrigues, Tech Lead da Future Station
Quem lidera a engenharia Fluig na FS

Igor Rodrigues

Tech Lead · Future Station · +10 anos em TOTVS Fluig

Tech Lead com mais de dez anos em TOTVS Fluig, com modelagem BPMN, datasets e integração com Protheus, RM e Datasul. Lidera o time que aplica ferramentas como o Fluig Tester nos processos que a FS desenvolve.

Qual caminho do seu processo nunca foi testado?

Em 40 minutos você mostra o processo do Fluig que mais preocupa. A gente devolve onde estão os caminhos de risco e como testá-los antes do próximo go-live.