Como montar a turma de treinamento Fluig sem desperdiçar as 24 horas
A ementa e o instrutor já estão resolvidos. O que decide se o time volta autônomo são quatro escolhas que ficam com você antes do primeiro dia de aula.
O desperdício mais comum em treinamento de Fluig não é a ementa fraca nem o instrutor distante. É a turma errada: gente mandada por cargo, em ambiente vazio, num calendário que competia com o fechamento do mês.
Quando isso acontece, o resultado aparece na segunda semana. O time voltou com certificado e continua abrindo chamado com o fornecedor para mudar um campo de formulário.
Este guia é para quem vai fechar uma turma do Prime Club Fluig e quer que as 24 horas de cada trilha virem autonomia. Se você ainda está decidindo se treina o time ou compra o processo pronto, esse debate está em Treinamento Fluig: como formar seu time. Aqui a decisão já foi tomada. O que falta são quatro escolhas que só o gestor pode fazer.

Decisão 1: quem senta em cada trilha
O erro clássico é montar a lista por cargo. “Os analistas vão para a Basic, os desenvolvedores para a Avançada” parece lógico e costuma errar nas pontas. O critério certo é a função que a pessoa exerce no ciclo de vida de um processo: quem desenha e administra vai para a Basic; quem escreve código e integra vai para a Avançada.
| Perfil na empresa | Trilha | Por quê |
|---|---|---|
| Administrador da plataforma (quem responde pelo WCMADMIN) | Basic | Painel de Controle inteiro, segurança, GED, LGPD e Analytics são o núcleo da trilha |
| Analista de processos que desenha fluxos e alçadas | Basic | Configuração de processo, atribuição, monitoramento e Central de Tarefas |
| Usuário-chave de RH, Financeiro ou Compras | Basic | Sai capaz de ajustar o próprio processo sem abrir chamado |
| Desenvolvedor web com HTML, CSS, JavaScript e JSON | Avançado | BPMN, formulários com eventos, datasets, widgets e APIs |
| Analista de integração com Protheus, RM ou Datasul | Avançado | REST, SOAP, autenticação e o critério de escolha entre eles |
| Gestor patrocinador | Nenhuma | Não senta na turma. É o ponto focal do modelo Train the Trainer |
Dois casos merecem atenção. O desenvolvedor mandado para a Basic “para nivelar” passa seis dias vendo configuração de pasta e sai frustrado. O usuário sem base web mandado para a Avançada passa o curso inteiro correndo atrás da sintaxe em vez de aprender a plataforma. Nos dois casos a vaga foi desperdiçada.
Se o time de desenvolvimento ainda não tem a base web exigida, a ordem certa é resolver isso antes de fechar a turma Avançada. O que a plataforma cobra de um desenvolvedor está em A linguagem do Fluig.
Decisão 2: o processo real que a turma vai reconstruir
Treinamento em ambiente vazio ensina a ferramenta. Treinamento em cima de um processo da casa ensina a plataforma. A diferença aparece no dia seguinte ao curso: quem reconstruiu um fluxo que conhece sabe onde mexer quando a alçada muda.
O processo escolhido precisa ser pequeno o bastante para caber em blocos de prática e real o bastante para ter dono. Critérios que funcionam:
- Tem dono claro. Alguém da área que responde “é assim que funciona” quando a turma pergunta.
- Cabe em três a seis atividades. Uma solicitação, uma ou duas aprovações, uma conclusão. Reembolso de despesa, solicitação de compra e admissão simplificada costumam caber.
- Tem uma alçada. É o ponto onde a turma aprende atribuição, notificação e o que acontece quando o aprovador muda.
- Tem uma integração desejada. Para a trilha Avançada, um dado que hoje vem do ERP por planilha e poderia vir por dataset.
- Não é o processo mais crítico da empresa. A turma vai fazer bagunça de propósito. Isso é parte do método, não um acidente.
Se as duas trilhas forem acontecer
Escolha o mesmo processo para as duas. A Basic desenha e configura; a Avançada coloca formulário com eventos, dataset e widget em cima. No fim, a empresa tem um processo inteiro feito pelo próprio time, e cada trilha entende o que a outra faz.
Decisão 3: onde a turma roda
As aulas são remotas, em sala virtual da Future Station ou do cliente, e precisam rodar em ambiente de teste ou homologação. Produção está fora de cogitação: a turma cria exemplos, quebra fluxos e refaz. O que precisa estar pronto antes do primeiro dia:
- Ambiente de homologação na mesma versão da produção, com dados de teste que se pareçam com os reais.
- Acessos criados. Usuário administrador para a turma Basic e usuários de teste com papéis diferentes para simular alçadas. Fazer isso no dia 1 custa a primeira hora de aula.
- Máquinas dos participantes. Windows 64 bits, 8 GB de RAM como desejável, segundo monitor recomendado. Na trilha Avançada, Eclipse e Fluig Studio instalados.
- Acesso ao ERP de homologação se a turma Avançada for integrar com Protheus ou RM. Sem isso o módulo de integrações vira teoria.
Um detalhe que costuma passar: se a plataforma está numa versão antiga e a migração já está no radar, treinar antes de migrar significa treinar em telas que vão mudar. A ordem mais barata é atualizar primeiro. Esse é o papel da Reimplantação Voyager.
Decisão 4: calendário e multiplicador
São 24 horas por trilha, em agendas de 4 horas por dia, o que dá 6 dias. Esse formato existe por um motivo: 4 horas é o máximo que uma pessoa absorve de plataforma nova por dia sem perder o fio, e 6 dias seguidos mantêm o contexto vivo. Espalhar as mesmas 24 horas em três semanas parece mais confortável e custa metade da retenção.
Na prática, o calendário só funciona quando o gestor bloqueia a agenda do time. Evite semanas de fechamento contábil, folha ou inventário, porque o participante vai ser puxado no meio da aula. Cancelamento de agenda pede aviso de 48 horas.
O modelo é Train the Trainer: a Future Station forma multiplicadores e o rollout interno fica com o cliente. Isso exige duas escolhas nominais antes de começar:
- O multiplicador. A pessoa da turma que vai treinar os próximos. Precisa gostar de explicar e ter tempo reservado depois do curso, não só durante.
- O ponto focal. O gestor que responde pela plataforma e cobra a régua da seção seguinte. Não é quem sabe mais de Fluig; é quem tem autoridade para tirar o time do e-mail e colocar no processo.
O material didático é digital, em português do Brasil, entregue pelo instrutor apenas aos participantes. Ele serve ao multiplicador, não substitui o multiplicador.
A régua: o que cobrar 30 dias depois do sexto dia
Certificado não é entregável. Autonomia é. E autonomia se mede com tarefas concretas, feitas sem abrir chamado com fornecedor. Trinta dias depois do curso, cada participante deveria conseguir:
| Trilha | Teste de autonomia | O que prova |
|---|---|---|
| Basic | Reconfigurar uma pasta avançada com aprovação e segurança herdada | Domínio de GED |
| Basic | Ajustar uma alçada sem quebrar o fluxo que está em produção | Domínio de processo e atribuição |
| Basic | Ler no Analytics quanto tempo cada etapa do processo leva | Do fluxo ao indicador |
| Avançado | Publicar um formulário com validação e campos habilitados por evento | Form Controller e amarração com o BPM |
| Avançado | Criar um dataset REST que consome o ERP e alimenta um campo | Integração sem planilha |
| Avançado | Publicar um widget próprio numa página do Fluig sem copiar código de exemplo | WCM, FreeMarker e widgets |
Há um indicador de gestão por trás de tudo isso: o número de chamados abertos ao fornecedor para mudanças pequenas. Se ele não cair no trimestre seguinte, o treinamento não pegou, e a causa quase sempre está em uma das quatro decisões acima, não na ementa.
Se o time precisa abrir chamado para mudar um campo de formulário, o treinamento não pegou. Autonomia é o entregável.
Perguntas frequentes
Posso colocar Basic e Avançado na mesma turma?
Não. As trilhas têm públicos, pré-requisitos e ementas diferentes, e cada uma tem 24 horas próprias. O que funciona é fechar as duas em sequência, em cima do mesmo processo da empresa.
Meu time de desenvolvimento não tem base em JavaScript. Fecho a Avançada mesmo assim?
Não antes de resolver a base. O pré-requisito da trilha Avançada é desenvolvimento web: HTML5, CSS, JavaScript, JSON e jQuery. Sem isso, o participante gasta o curso aprendendo sintaxe em vez de plataforma.
O gestor precisa participar das aulas?
Não como aluno. O gestor é o ponto focal do modelo Train the Trainer: escolhe o processo, garante o ambiente, bloqueia a agenda e cobra a régua de autonomia depois do curso.
A turma pode trabalhar em cima de um processo real da minha empresa?
Deve. É a diferença entre aprender a ferramenta e aprender a plataforma. O processo precisa ser pequeno, ter dono e rodar em ambiente de homologação, nunca em produção.
Estamos numa versão antiga do Fluig. Treino antes ou depois de migrar?
Depois. Treinar em telas que vão mudar desperdiça parte das 24 horas. Atualize primeiro, com a Reimplantação Voyager, e feche a turma na versão que o time vai usar.

Igor Rodrigues
Tech Lead · Future Station · +10 anos em TOTVS Fluig
Antes de treinar o time do cliente, ele treinava desenvolvedores da própria TOTVS. A trajetória completa, com os projetos de 2015 a 2025 na operação da TOTVS, está no editorial sobre ele.
Já sabe quem vai para cada trilha?
Traga a lista de participantes e o processo que a turma vai reconstruir. A gente valida as quatro decisões com você antes de fechar o calendário.
